Advogado de PM que alegou estar amarrada após morte de policial é detido por tentar entregar celular para cliente presídio
14/08/2026
(Foto: Reprodução) Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial encontrado carbonizado no CE
O advogado Walmir Medeiros foi detido, na manhã desta sexta-feira (14), após tentar entregar um aparelho celular para a cliente — a soldado Júlia Natália Girão Gomes, suspeita de envolvimento na morte de um policial que teve o corpo encontrado carbonizado dentro de um carro em Fortaleza. Ela está presa.
Walmir Medeiros foi detido em flagrante ao tentar entregar um aparelho celular para Júlia, buscando facilitar a comunicação dela com terceiros e foi conduzido para a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
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Na unidade, ele foi liberado após assinar um Termo Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação, sem autorização legal, em unidade prisional, conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).
Segundo a pasta, o celular que ele tentou entregar para Júlia Natália foi apreendido, e a ocorrência segue em andamento. Ele foi autuado por crime contra a administração pública.
A secretaria também informou que o advogado tinha antecedente criminal por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha.
Advogado Walmir Medeiros fazia defesa de PM que alegou estar amarrada após morte de policial, em Fortaleza.
Reprodução
Coronel da reserva da Polícia Militar, o advogado teve atuação em casos importantes na defesa de policiais militares, como no julgamento dos réus da Chacina do Curió, com agentes acusados pela morte de 11 pessoas na periferia de Fortaleza, em 2015.
Procurada pelo g1, a Associação dos Profissionais da Segurança (APS), ao qual o advogado era vinculado, informou que Walmir Medeiros foi imediatamente afastado de todas as funções exercidas na associação.
A instituição afirmou que o coronel fez visita à soldado Júlia após uma orientação expressa para que ele se afastasse completamente do caso. Isso porque a associação tinha decidido encerrar a assistência jurídica prestada à policial e à família do soldado Raphael Sampaio, pois ambas as partes eram associadas (leia a nota na íntegra no fim da reportagem).
O g1 também procurou a Ordem dos Advogados do Estado do Ceará (OAB-CE) e não obteve um posicionamento oficial até o momento.
Relembre o caso
Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior
Reprodução
A policial militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos, foi presa na terça-feira (11) por envolvimento com a morte do soldado PM Raphael Sampaio da Silva, 27. O PM teve o corpo encontrado carbonizado em um carro, no bairro Ancuri, em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, horas antes da prisão de Júlia.
A soldado, que foi admitida na Polícia Militar do Ceará em novembro de 2024, foi autuada em flagrante por homicídio na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, em Fortaleza.
Júlia Natália já respondia por outros crimes: estelionato, lavagem ou ocultação de bens e integrar organização criminosa, segundo a Secretaria da Segurança.
A policial militar foi achada, por moradores da região, com as mãos amarradas em uma área de mata ao lado da BR-116, próximo ao local onde o corpo de Raphael Sampaio da Silva foi encontrado. A PM presa e o soldado morto eram colegas de equipe no mesmo batalhão da Polícia Militar.
A TV Verdes Mares obteve uma imagem captada por câmera de segurança (veja abaixo) na oficina de propriedade do marido da policial militar, que mostra que ela estava no estabelecimento às 8h52 desta terça-feira (11).
Imagem mostra policial militar em oficina no horário próximo ao que o corpo do PM foi encontrado carbonizado.
Reprodução
A imagem rebateu a versão apresentada pela PM, em depoimento prestado à Polícia Civil, de que ela estava amarrada próximo ao local onde o corpo do militar foi encontrado carbonizado nesse horário. Não há informação precisa sobre o horário em que Júlia foi encontrada amarrada por moradores próximo à BR-116.
A Polícia Civil suspeita que a PM forjou estar na cena do crime para se passar por vítima junto de Raphael, com quem ela teria tido um relacionamento amoroso. A motivação do homicídio é investigada.
O marido da PM também é investigado por ligação com o homicídio e foi ouvido por policiais civis, no DHPP, na noite desta terça (11). Ele já responde por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, integrar organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
Nesta quinta-feira (13), a Justiça decretou as prisões de Júlia Natália Girão Gomes e do marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, em audiências de custódia. Para Júlia, o juiz do 7º Núcleo de Custódia e Garantias, de Maracanaú, decretou prisão preventiva (sem prazo definido para expirar). E, para Antoneudo Ribeiro, o magistrado decretou prisão temporária (com tempo determinado para expirar).
Durante o velório de Raphael Sampaio, nesta quinta-feira (13), a tia da vítima, Rosilane Sampaio, afirmou em entrevista à TV Verdes Mares que o soldado possuía um relacionamento extraconjugal com a policial Júlia Natália.
“Houve sim uma relação extraconjugal, mas não quer dizer que merecia a morte. Nem ela merecia a morte; o marido matá-la, ou a mulher [do soldado] descobrir e ir lá matá-la”, lamentou Rosilane.
Investigação
Júlia Natália apareceu em uma área de mata, em Aquiraz, horas após o corpo do soldado Raphael Sampaio ser encontrado carbonizado em Itaitinga.
Reprodução
A SSPDS informou que exames periciais realizados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) no corpo de Raphael Sampaio da Silva não constataram "nenhuma amputação traumática". "A perícia encontrou lesões por arma de fogo feitas na vítima ainda em vida, com posterior carbonização do corpo", informou.
A investigação segue a cargo da Delegacia de Homicídios Contra Agentes de Segurança Pública (DHASP), que realiza diligências e oitivas para elucidar todas as circunstâncias do fato, segundo a Secretaria.
Confira a íntegra da nota da APS
"A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) informa que, diante da incompatibilidade existente no caso envolvendo os associados SD Sampaio e SD Júlia, decidiu encerrar a assistência jurídica prestada à SD Júlia.
A decisão foi comunicada à associada e ao advogado Cel. Medeiros, que recebeu orientação expressa para se afastar completamente do caso, inclusive de eventual atuação particular enquanto permanecesse como colaborador da APS.
Apesar da determinação, o advogado realizou, nesta sexta-feira, 14 de agosto, visita à SD Júlia sem autorização da Diretoria.
Diante do descumprimento das orientações institucionais, o Cel. Medeiros foi imediatamente afastado de todas as funções exercidas na APS."
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